Etiqueta: gravidez

Microbiota uterina e fertilidade

Microbiota uterina e fertilidade

Se ainda acha que o útero é um lugar estéril, sem bactérias, então este artigo é para si. Se deseja engravidar, este artigo é para si. Se já teve abortos espontâneos ou falhas de implantação em processos de fertilização in vitro, este artigo é para 

Microbiota vaginal e fertilidade

Microbiota vaginal e fertilidade

A vagina possui um pH ácido e é predominantemente colonizada por Lactobacillus sp, tais como L. crispatus, L. iners, L. jensenii e L. gasseri, bactérias dependentes de hormonas femininas, sobretudo o estrogénio. Estes lactobacilos vão atuar na manutenção e defesa da vagina contra agentes patogénicos,através 

Tiróide e fertilidade: qual a relação?

Tiróide e fertilidade: qual a relação?

A tiróide é uma glândula responsável por produzir hormonas relacionadas com o nosso metabolismo e função reprodutora.

Em diversas situações, pode ocorrer um desequilíbrio na produção destas hormonas, causando HIPERTIROIDISMO (produção excessiva de hormonas) ou HIPOTIROIDISMO (produção hormonal é menor), sendo que este está relacionado com a TIROIDITE DE HASHIMOTO (doença auto-imune da tiróide).

Estes desequilíbrios estão associados a uma maior dificuldade de engravidar, assim como a abortos de repetição.

No hipotiroidismo, com a produção insuficiente da hormona T4, a ovulação pode ocorrer de forma irregular, prejudicando a fertilidade.

No hipertiroidismo, o aumento da produção de T4 acelera processos metabólicos e está associado a alterações na função dos ovários.

O funcionamento da tiróide (perfil completo, não apenas TSH!) deverá fazer parte da investigação básica em mulheres que estejam a ter dificuldades em engravidar, sendo que o tratamento das patologias da tiróide antes da gravidez é de extrema importância.

NOTA: exija um bom acompanhamento, que a olhe como o todo, que investigue, que procure causas e as trate.

Seja ATIVO na sua saúde, escolhendo bem quem a acompanhará na maior jornada da sua vida.

Saúde dos ovários e estilo de vida

Saúde dos ovários e estilo de vida

Bom dia! Para começar, este artigo é para quem quer engravidar em breve mas também para todas as mulheres que pretendem engravidar um dia. A hora de começar é a cuidar dos seus óvulos é AGORA. Sabia que já nascemos com todos os nossos óvulos? 

Quais são os nutrientes essenciais para a formação de espermatozóides?

Quais são os nutrientes essenciais para a formação de espermatozóides?

Como já foi abordado por aqui, 40 % dos casos de infertilidade tem origem no fator masculino, com diversas causas. Quando falamos em espermatozóides falamos em três aspetos importantes: quantidade, qualidade e mobilidade, e a Nutrição é um forte aliado em todos estes aspetos. A 

Síndrome do ovário poliquístico: qual o papel da Nutrição?

Síndrome do ovário poliquístico: qual o papel da Nutrição?

A síndrome do ovário poliquístico (SOP) afeta 5-10% da população.

A presença de quistos nos ovários não é imediatamente indicador de SOP, pois para o diagnóstico desta, além da presença dos quistos, deverão estar presentes outros fatores como resistência à insulina, hiperandrogenismo (níveis elevados de androgénios, tais como a testosterona) e irregularidades menstruais, podendo ser amenorreia (ausência de menstruação) ou a presença de ciclos menstruais longos (superiores a 35 dias). Acne e hirsutismo (aumento da pilosidade corporal) também são sinais de uma possível SOP.

Uma das razões pelas quais é tão importante conhecermos esta síndrome é o facto dela ser uma das principais causas de infertilidade associada ao sistema reprodutor feminino. A ausência de menstruação é um sinal de que não está a ocorrer ovulação e, como tal, não será possível ocorrer fecundação do óvulo por um espermatozóide, impedindo a gravidez de acontecer.

O aumento dos níveis circulantes de androgénios está associado ao aumento da resistência à insulina, um estado semelhante à pré-diabetes. Sabe-se que a resistência à insulina se associa, por sua vez, a alterações na ovulação.

Desta forma, a modulação nutricional da resistência à insulina ajuda a melhorar a função ovulatória e, assim, a aumentar as hipóteses de gravidez.

Sendo assim, deixo-vos algumas das principais abordagens nutricionais à resistência à insulina:

  1. Diminuição da ingestão de hidratos de carbono, sendo que os consumidos deverão ser de baixa carga glicémica;
  2. Aumento do consumo de fibras (> 35g/dia);
  3. Diminuição da gordura visceral;
  4. Aumento da ingestão de compostos anti-inflamatórios;
  5. Inclusão de nutrientes e compostos bioativos específicos, tais como o ómega 3 (peixes gordos como a sardinha e a cavala), zinco (carnes, oleoginosas, marisco), quercetina (cebola, maçã), magnésio (oleoginosas, vegetais verde escuros, frutas), crómio (oleoginosas, marisco), ácido lipóico (brócolos, espinafres, couve de bruxelas, carnes), inositol (oleoginosas, vegetais de folha verde, banana, pêssego, aveia), EGCG (chá verde), biotina (gema de ovo, vísceras) e coenzima Q10 (sardinha).

Além da abordagem nutricional, sabe-se que a prática de exercício físico também beneficia o tratamento da SOP.

Espero que este artigo tenha sido útil e que o divulguem a quem dele beneficiar!

Na semana mundial da amamentação, vamos ajudar quem não pode/consegue amamentar: quais as alternativas ao leite materno?

Na semana mundial da amamentação, vamos ajudar quem não pode/consegue amamentar: quais as alternativas ao leite materno?

Os benefícios do leite materno para a mãe e para o bebé já são conhecidos (http://nutricionistajoanapereira.pt/2019/08/07/conhece-o-leite-materno-e-quais-os-beneficios-da-amamentacao-para-a-mae-e-para-o-bebe/ ), mas seja por escolha ou por impossibilidade, muitas mães não amamentam os seus filhos. Nestes casos, a prioridade deve ser fornecer alimento ao bebé para que este possa 

Conhece o leite materno e quais os benefícios da amamentação para a mãe e para o bebé?

Conhece o leite materno e quais os benefícios da amamentação para a mãe e para o bebé?

Certamente já ouviu falar sobre o leite materno e possivelmente este já fez parte, outrora, da sua alimentação. Nesta Semana Mundial da Amamentação, vamos começar por conhecer um pouco mais sobre este alimento de ouro e quais os benefícios da amamentação para a mãe e 

Endometriose – será que a Nutrição pode ajudar?

A endometriose é a designação dada ao processo clínico no qual as células que constituem o endométrio se encontram fora da sua localização normal, por exemplo no peritoneu pélvico, nos ovários, na bexiga, no apêndice, intestinos ou no diafragma.

Para além destas formas de endometriose que se manifestam na cavidade abdominal, a endometriose pode, embora seja menos comum, afetar órgãos mais distantes, como o pulmão, o nariz ou a pele.

A prevalência da endometriose é de cerca de 10% da população em idade reprodutiva. Nas mulheres com infertilidade, essa prevalência aumenta para cerca de 25 a 45%.

Quais são as causas da Endometriose?

A origem da endometriose ainda não é completamente conhecida e é, por isso, ainda motivo de alguma controvérsia.

A menstruação retrógrada através das trompas, fenómeno normal em muitas mulheres, pode facilitar a implantação de tecido do endométrio na zona pélvica e, por isso, é um dos mecanismos aceites para o desenvolvimento da endometriose.

Por outro lado, admite-se também como possível a influência de fatores genéticos, hormonais (tais como níveis elevados de estrogénios), étnicos (risco mais elevado na mulheres caucasianas), ambientais (substâncias tóxicas, como as dioxinas) ou sociais (stress elevado).

Muitas vezes o diagnóstico surge após queixas de dores durante a relação sexual, dor pélvica, dores menstruais fortes ou suspeitas de infertilidade.

Habitualmente o tratamento é feito por remoção cirúrgica do tecido endometrial, auxílio à reprodução e ainda foco na regulação da aromatase, COX 2 e recetores de progesterona.

Qual o papel da Nutrição na Endometriose?

No que diz respeito à Nutrição, esta tem um papel importante na modulação de alguns dos processos inerentes à endometriose. Vamos ver então de que forma a Nutrição pode ajudar:

  • EPA/DHA: Ajuda na diminuição da inflamação, COX-2 e em estudos com animais mostrou uma redução na progressão da doença. Podemos ingerir EPA/DHA sob a forma de suplemento ou através de peixes gordos, como a sardinha ou a cavala.
  • Vitamina C e E: Reduzem os níveis de marcadores inflamatórios no fluído peritoneal e também de COX-2. Podemos encontrar estes nutrientes nos vegetais, frutas cítricas, salsa, azeite, oleoginosas, ou na forma de suplemento.
  • Flavonóides (quercetina, apigenina, crisina, resveratrol, kaempferol, genisteína): Reduzem os níveis de COX-2. Podemos encontrar os flavonóides nas frutas e vegetais avermelhados, roxos, cebola, maçã, entre muitos outros desta gama.
  • Epigalocatequina galato (EGCG): Presente no chá verde, este composto tem o poder de diminuir o PCNA (antigénio nuclear de proliferação celular) e o VEGF (fator de crescimento endotelial vascular), diminuindo a progressão da doença. Estes resultados foram demonstrados in vitro, sendo que in vivo temos evidência de regressão de lesões associadas à endometriose.
  • Genisteína: em animais, este composto mostrou efeitos na diminuição do aparecimento de focos de endometriose. Podemos encontrá-la nas sementes de linhaça.
  • L-Carnitina: in vitro, a L-Carnitina mostrou ter efeito antioxidante e na diminuição da inflamação (TNF-alfa).

Com especial atenção na modulação da aromatase, uma enzima envolvida no processo de endometriose, estudos mostram que a utilização de isoflavonas, urtica dióica, EGCG, crisina e apigenina parece ter bons resultados. O azeite, rico em hidroxitirosol, possui propriedades anti-estrogénicas e anti-aromatase, uma vez que se liga aos recetores, diminuindo os níveis de estrogénio livre.

Outro aspeto importante na abordagem à endometriose é prestarmos atenção à saúde intestinal, pois a nossa microbiota e os estrogénios estão relacionados. Assim, a maior ingestão de fibras associa-se a menores níveis de estrogénio (via maior eliminação) e também a uma maior excreção de compostos nocivos, que poderão estar envolvidos na patogénese da doença, como os PCB’s.

Para inibição da COX-2, também envolvida na patogénese, pode-se incluir na alimentação o chá verde, gengibre, cúrcuma, cebola roxa, e outras fontes de flavonóides, vitamina C e E.

Espero que este artigo tenha sido útil para todas as mulheres que têm endometriose, mas também para qualquer outra pessoa, no sentido de mostrar a importância que a nossa alimentação tem na nossa saúde/doença.

Obrigada!