Obesidade infantil: em que ponto estamos e o que podemos fazer pelas nossas crianças?

Obesidade infantil: em que ponto estamos e o que podemos fazer pelas nossas crianças?

Em Portugal, a prevalência de excesso de peso em crianças ainda é de 29,6%. Esta prevalência tem vindo a diminuir, fruto de medidas de saúde pública que englobam a maior presença de nutricionistas em escolas, autarquias e centros de saúde. No entanto, mesmo com esta descida positiva, continuam a ser quase um terço de todas as crianças do nosso país.

Isto torna-se especialmente importante depois de o New England Journal of Medicine, uma das melhores revistas científicas na área médica, ter publicado um artigo (“A potential decline in life expectancy in the United States in the 21st century”) que é dos maiores apelos à consciência que podemos ter.


Passo a partilhar convosco as conclusões do artigo: a menos que sejam desenvolvidas intervenções efetivas a nível da população para reduzir a obesidade, o aumento constante na expectativa de vida observado na era moderna pode acabar em breve e os jovens de hoje podem, em média, viver menos saudáveis e possivelmente até vidas mais curtas que os seus pais.
Se o efeito negativo da obesidade sobre a expectativa de vida continuar a piorar, os ganhos em saúde e longevidade que levaram décadas para alcançar podem ser rapidamente revertidos.


Ninguém quer ver os filhos morrer antes nem vê-los doentes.
Então alguma coisa tem de começar a mudar! No entanto, não devemos delegar essa mudança a entidades, escolas, etc, mas sim começá-la nas nossas casas, dentro das nossas próprias circunstâncias e possibilidades, passo a passo e ao longo do tempo.

Quando uma criança tem de perder peso, o mais importante é serem os adultos responsáveis por ela o seu maior exemplo.

A família é um modelo de comportamento e é a principal responsável pela alteração de hábitos de estilo de vida e pela implementação de hábitos alimentares e de atividade física saudáveis, em todo o agregado familiar.

É também essencial focarmo-nos na qualidade da alimentação oferecida, em vez de estarmos demasiado obcecados com quantidades.

É importante termos em mente que não queremos, de todo, criar um terreno fértil para perturbações do comportamento alimentar ou distorção de imagem, sobretudo numa era onde, infeliz e assustadoramente, a imagem assume cada vez mais importância e cada vez numa idade mais precoce.


Assim, o primeiro passo é diminuir acentuadamente a oferta de produtos alimentares processados, tais como bolachas, bolos, cereais, folhados, merendas, batatas fritas de pacote, sumos e refrigerantes, refeições pré-fabricadas, etc.


Mas assim, o que sobra para comer? Sobra COMIDA DE VERDADE!
Entende que estamos a substituir “produtos alimentares” por alimentos, que é como quem diz, trocar doença por saúde?

Sendo assim, a criança pode comer carne, peixe, ovos, legumes, todas as frutas, leguminosas, aveia, arroz, batata, iogurtes naturais, frutos secos… Comida que a vai fazer crescer com saúde e ter longevidade!

O seu filho quer bolachas? Junte aveia, banana e cacau, leve ao forno e tem umas bolachas quentinhas e saborosas!


Quer panquecas? Junte ovos, leite e aveia e estão prontas. Recheie com fruta e canela. Até pode congelar e tê-las sempre à mão.

Quer cerelac e nestum? Capriche nas papas de aveia.


Por fim, e muito importante: a responsabilidade da alimentação dos filhos é dos pais, não deles. São os pais que decidem o que compram lá para casa, o tempo que investem na preparação de refeições saudáveis para a família… Os pais são o exemplo dos filhos.


Se a sua desculpa é o que a criança compra fora de casa, dê-lhe menos dinheiro.


Se trabalha até tarde e não tem tempo para cozinhar para os seus filhos, talvez precise de rever as suas prioridades.

Responsabilize-se, inove e descomplique! Comer bem, em família, é simples. Mexer-se também 😉



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