Síndrome do ovário poliquístico: qual o papel da Nutrição?

Síndrome do ovário poliquístico: qual o papel da Nutrição?

A síndrome do ovário poliquístico (SOP) afeta 5-10% da população.

A presença de quistos nos ovários não é imediatamente indicador de SOP, pois para o diagnóstico desta, além da presença dos quistos, deverão estar presentes outros fatores como resistência à insulina, hiperandrogenismo (níveis elevados de androgénios, tais como a testosterona) e irregularidades menstruais, podendo ser amenorreia (ausência de menstruação) ou a presença de ciclos menstruais longos (superiores a 35 dias). Acne e hirsutismo (aumento da pilosidade corporal) também são sinais de uma possível SOP.

Uma das razões pelas quais é tão importante conhecermos esta síndrome é o facto dela ser uma das principais causas de infertilidade associada ao sistema reprodutor feminino. A ausência de menstruação é um sinal de que não está a ocorrer ovulação e, como tal, não será possível ocorrer fecundação do óvulo por um espermatozóide, impedindo a gravidez de acontecer.

O aumento dos níveis circulantes de androgénios está associado ao aumento da resistência à insulina, um estado semelhante à pré-diabetes. Sabe-se que a resistência à insulina se associa, por sua vez, a alterações na ovulação.

Desta forma, a modulação nutricional da resistência à insulina ajuda a melhorar a função ovulatória e, assim, a aumentar as hipóteses de gravidez.

Sendo assim, deixo-vos algumas das principais abordagens nutricionais à resistência à insulina:

  1. Diminuição da ingestão de hidratos de carbono, sendo que os consumidos deverão ser de baixa carga glicémica;
  2. Aumento do consumo de fibras (> 35g/dia);
  3. Diminuição da gordura visceral;
  4. Aumento da ingestão de compostos anti-inflamatórios;
  5. Inclusão de nutrientes e compostos bioativos específicos, tais como o ómega 3 (peixes gordos como a sardinha e a cavala), zinco (carnes, oleoginosas, marisco), quercetina (cebola, maçã), magnésio (oleoginosas, vegetais verde escuros, frutas), crómio (oleoginosas, marisco), ácido lipóico (brócolos, espinafres, couve de bruxelas, carnes), inositol (oleoginosas, vegetais de folha verde, banana, pêssego, aveia), EGCG (chá verde), biotina (gema de ovo, vísceras) e coenzima Q10 (sardinha).

Além da abordagem nutricional, sabe-se que a prática de exercício físico também beneficia o tratamento da SOP.

Espero que este artigo tenha sido útil e que o divulguem a quem dele beneficiar!



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