“Tirei a vesícula. E agora?Como deve ser a minha dieta?”

“Tirei a vesícula. E agora?Como deve ser a minha dieta?”

A colescitectomia (cirurgia para remoção da vesícula) é um procedimento bastante comum. Apesar da mesma ter várias consequências a nível nutricional, após a mesma pouca ou nenhuma recomendação nutricional é habitualmente feita, além do alerta para a necessidade de redução da ingestão de gorduras. Mas será que se resume a isso?

Primeiramente, temos de pensar que a vesícula, apesar de não ser um órgão vital, tem um papel muito importante no nosso organismo, não a podemos ver como dispensável e, por isso, a sua remoção cirúrgica não deve ser vista como algo inconsequente.

A vesícula é responsável pelo armazenamento de bílis, líquido que contém os ácidos biliares. Estes compostos são produtos finais do metabolismo do colesterol e a sua produção é uma das formas que o organismo tem de eliminar colesterol em excesso.

Além disso, os ácidos biliares estão envolvidos na digestão das gorduras, pelo que com a colescitectomia, a digestão e utilização das mesmas fica inviabilizada. Se pensarmos que várias das vitaminas importantes são lipossolúveis (A, D, E e K) e por isso se encontram em diversos alimentos com gordura ou beneficiam da sua adição, é fácil percebermos que com a redução ou exclusão desta, a ingestão destas vitaminas também será prejudicada, assim como a função exercida por cada uma delas no nosso organismo.

Os ácidos biliares são ainda responsáveis pela sinalização de várias vias metabólicas, tais como o metabolismo da glicose e metabolismo energético.

Alguns estudos mostram também o papel destes ácidos na regulação da nossa microbiota, isto é, das bactérias que se encontram a nível intestinal, e que tanto papel exercem na nossa saúde. Talvez isso seja uma das razões para, a longo prazo, vermos consequências metabólicas associadas à colescistectomia, tais como o aumento do índice de massa corporal, síndrome metabólica, níveis reduzidos de vitaminas, esteatose hepática, entre outras.

Dessa forma, deixo-vos algumas recomendações nutricionais gerais para quem fez esta cirurgia:

  1. Dieta hipolipídica, ou seja, baixa em lípidos;
  2. Redução da ingestão de gordura saturada e eliminação da gordura trans;
  3. Suplementação PRESCRITA de vitaminas lipossolúveis;
  4. Regulação da microbiota com probióticos PRESCRITOS e prebióticos;
  5. Aumento da ingestão de fibras (pelo menos 35 g de fibra por dia);
  6. Chás digestivos antes da refeição (chá de dente de leão e alcachofra) e depois da refeição (gengibre, hortelã, erva doce, camomila).

Todas as alterações feitas à dieta deverão ser prescritas por um nutricionista e de forma individualizada (inclusivé os chás! Se a fitoterapia faz efeito, então também não é inócua 😉 ), tendo em conta todas as outras questões de saúde, doença ou metabólicas de cada um. Desta forma, apesar de eu ser nutricionista, este artigo, assim como todos os outros disponíveis neste site, são educativos e não prescritivos 😉

Espero que tenha sido útil!



1 thought on ““Tirei a vesícula. E agora?Como deve ser a minha dieta?””

  • Artigo muito interessante, como todos os outros por si publicados anterioremente. Permita me uma sugestão. Uma vez que escreve para o público em geral, penso não ser demais “rever”os conceitos de gordura saturada, gordura trans….
    Muito obrigada

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